A pediatria no século XXI atravessa um período de profundas transformações, impulsionadas por avanços científicos, tecnológicos e mudanças sociais. A expressiva redução da mortalidade infantil, especialmente por meio dos progressos da neonatologia, das imunizações e do cuidado humanizado, modificou de forma significativa o perfil epidemiológico da infância. Paralelamente, observa-se o aumento das doenças crônicas, dos transtornos do neurodesenvolvimento e das afecções mentais, reforçando a importância do cuidado integral e precoce da criança, conforme os princípios das Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença (DOHaD).
A incorporação da genética e da medicina de precisão permitiu maior acurácia diagnóstica, especialmente em doenças raras, ao passo que terapias gênicas e alvo-moleculares abriram novas perspectivas terapêuticas. Tecnologias digitais, como a telepediatria e a inteligência artificial, passaram a apoiar decisões clínicas, ampliar o acesso e otimizar a gestão em saúde infantil. Contudo, esses avanços impõem desafios éticos e ampliam o debate sobre equidade no acesso a tecnologias de alto custo. Entre os principais desafios contemporâneos destacam-se a obesidade infantil, a hesitação vacinal, o impacto das mudanças climáticas, a vulnerabilidade social e o aumento do sofrimento psíquico em crianças e adolescentes. As perspectivas para as próximas décadas apontam para uma pediatria mais preditiva, preventiva e personalizada, centrada nos primeiros mil dias de vida, na integração com políticas públicas e na preservação da relação médico-criança-família como eixo fundamental do cuidado.
Palavras-chave: Pediatria, Avanços tecnológicos, Saúde da criança, Telemedicina, Saúde digital, Saúde pública