OBJETIVOS: identificar características epidemiológicas dos óbitos maternos associados à COVID-19 no estado de São Paulo entre 2020 e 2022.
MÉTODOS: estudo transversal com dados secundários do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Foram analisados 854 óbitos maternos, classificados segundo a presença (n=288) ou ausência (n=566) de COVID-19. Comparou-se variáveis sociodemográficas, momento do óbito e causas associadas. Estimaram-se razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%) por regressão de Poisson com variância robusta.
RESULTADOS: o coeficiente de mortalidade materna atingiu 65,7 por 100.000 nascidos vivos em 2021, comparado a valores em torno de 43,5 no período pré-pandêmico. Entre os óbitos por COVID-19, 82,2% ocorreram no puerpério (RP=2,14; IC95%=1,64–2,80). Observou-se maior prevalência entre mulheres com ≥12 anos de escolaridade (RP=1,57; IC95%=1,11–2,22) e com companheiro (RP=1,39; IC95%=1,14–1,69). A maioria dos óbitos por COVID-19 não apresentou causas obstétricas associadas (RP=0,33; IC95%=0,25–0,44), porém a diabetes gestacional mostrou-se fator agravante (RP=1,51; IC95%=1,06–2,10).
CONCLUSÃO: a pandemia elevou significativamente a mortalidade materna no estado, com maior impacto no puerpério e entre mulheres com maior escolaridade e com companheiro, reforçando a necessidade de vigilância qualificada no período pós-parto.
Palavras-chave: Amortalidade materna, COVID-19, Saúde da mulher, Epidemiologia, Sistema de Informação em Saúde